Existência é Resistência

Povo brasileiro,

Sabemos um pouquinho do que vocês estão sentindo.

Nossas circunstâncias são diferentes, mas temos muito em comum. Conhecemos esse sentimento de tristeza, desilusão, raiva… Quando aqueles cantos escuros da sociedade vêm para a luz. Quando aqueles que uma vez sentiram vergonha de compartilhar seu ódio de forma plena, agora são encorajados a agir.  É decepcionante ver um lugar que você chama de sua casa, que lhe deu tanto… Esqueça seu passado. Os seguintes dias vão ser estranhos. Ninguém sabe exatamente o que vai acontecer. Recomendo que vocês usem este tempo para lamentar e processar o que aconteceu porque depois tem que se mobilizar.

Todos podemos resistir. Podemos resistir com protestos, arte, jornalismo e nossos modos de ser. Com gestos grandes e com gestos pequenos. Espero que vocês pratiquem bondade e tolerância a todos. Embora algumas coisas não afetem você, podem afetar outras pessoas. Tenha solidariedade com as pessoas dos grupos marginalizados. Apoie seus amigos, organizações locais, jornalistas e outros que tenham os mesmos valores.

Eu espero que vocês escrevam muito. As palavras são fortes. As palavras criam poesia, música, literatura… Mesmo em regimes opressores, a arte sempre tem um jeito de escapar. Arte educa e a educação é importante para a resistência.

Em meu caso eu pratico jornalismo e kickbox. Às vezes você tem que acertar coisas até a exaustão. Para alguns, eu não deveria existir. Meu modo de ser, a cor de minha pele, meu gênero… Sempre vai ter gente que trabalha duro todos os dias para me lembrar onde eu pertenço. Quero que vocês lembrem que a sua mera existência é uma forma de resistência.

Viva sua verdade e defenda o que é certo.

Eu desejo que vocês não se esqueçam de rir, ser gentil, ajudar os outros e continuar a ser o país forte e bonito que todos sabemos que é. Boa sorte.

 

Por April Lanuza

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O preço real da floresta amazônica brasileira, de Mely Bohlman

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Os cientistas estimaram que a Amazônia pode coletar um sexto do carbono armazenado na vegetação em todo o mundo. No entanto, um quinto da Amazônia desapareceu em apenas 50 anos. A maior floresta tropical do mundo enfrenta muitas ameaças é a intenção do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, de abrir ainda mais áreas para a pecuária tornará isso ainda pior.

Como presidente do Brasil, Bolsonaro controlará quase dois terços da Amazônia, a maior floresta tropical da Terra. Ele argumentou que muitas áreas ambientalmente protegidas estão dificultando o desenvolvimento do país. Bolsonaro revelou que cogita abrir uma rodovia através da Amazônia e barrar organizações não-governamentais ambientais como o Greenpeace e o World Wildlife Fund do país. Então, Bolsonaro prometeu recentemente aos repórteres que o Brasil permanecerá no acordo de Paris, o marco do acordo global sobre o clima que ele criticou no passado. Mas não está claro como ele manteria o acordo do Brasil ao mesmo tempo em que corta grandes trechos da Amazônia, o que ajuda a manter o mundo fresco. O governo do Brasil está mudando por parte de Bolsonaro, e as pessoas que são enfocados no meio ambiente vai ser mais fracas. Bolsonaro indicou que pretende eliminar o Ministério do Meio Ambiente do Brasil e isto vai ser muito mal porque o futuro da floresta vai ser difícil de proteger sem apoio do governo. Alguns indígenas, como Dinaman Tuxa, coordenador nacional da Associação dos Povos Indígenas do Brasil, disse temer que mais madeireiros e garimpeiros podem se dirigir a seus lares sob Bolsonaro.

A beleza é a riqueza biológica da floresta amazônica são inestimáveis. É possível, no entanto, colocar um preço em suas pescarias, armazenamento de carbono e produtos farmacêuticos, entre outros aspectos. As estimativas de perda da Amazônia por 30 anos variam de US $ 957 bilhões a US $ 3,589 bilhões. O custo para salvá-la, enquanto isso, ainda está além da compreensão da maioria das pessoas. Mas o custo de deixar a floresta ser desflorestado, como Bolsonaro quer, é mais caro- é estimado de ser 8 a 50 mais caro. A melhor estratégia seria reduzir drasticamente os gases de efeito estufa. No entanto, os cientistas reconhecem que o custo de fazer isso é tão grande que salvar a Amazônia será apenas um fator pequeno na determinação de tais decisões globais. Os cientistas aconselham considerar opções que possam ser implementadas localmente. Algumas delas, como a aplicação de centenas de milhões de toneladas de fertilizantes, provavelmente funcionarão, mas também podem ter efeitos negativos tão graves. Ainda assim, a prevenção do desmatamento, a restauração de paisagens e a mudança de práticas agrícolas em áreas próximas custariam coletivamente US $ 27,5 a US $ 64,2 bilhões.

Acho que estamos nos encaminhando para um período muito sombrio da história do Brasil. Bolsonaro é a pior coisa que poderia acontecer com o meio ambiente, diz Paulo Artaxo, pesquisador de mudanças climáticas da Universidade de São Paulo, no Brasil. Meu posicionamento, como estudante e cientista, é a salvar na floresta amazônica brasileira em vez de destruir tudo. Espero que Bolsonaro e o governo brasileiro vai ver os custos e as valores da floresta agora, antes de destruir ela.