O Som do Silêncio

Vanessa Vasquez

“Sílvia, venha pra baixo! Sua limusine está aqui!”, sua mãe, Clara, chamou da sala. Sílvia respirou fundo ansiosamente assim que escovou seu vestido de noiva. Chegou o dia de seu casamento, mas não se sentia feliz como muitas meninas sentiam em seus casamentos. O rapaz com quem ela vai casar, Fernando, não era o homem que ela sempre sonhava de criança, mas seu pai, Manuel, deu um ultimato.

“Se não vai casar com Fernando, você nunca mais vai ver minha casa!”, ameaçava todos os dias desde que Fernando pediu a ela em casamento no momento que ela completou dezoito anos. O único motivo de que ele estava interessado nela foi pela herança que sua família tinha, e Manuel gostou dele por sua carreira de advogado. Não se preocupou que Fernando tinha quinze anos mais que ela e que sempre ficava bravo quando estavam sozinhos os dois. Sílvia não queria casar agora mesmo, mas queria estudar jornalismo, seu sonho desde que começou a assistir a notícias aos onze anos, e viajar às terras exóticas como Índia e Japão depois de graduar o ensino médio. Manuel não era a favor de isso.

“Por que vai estudar? Fernando faz muito dinheiro para que você pôde ficar em casa com suas crianças. Mas, viajar é para as pessoas que não têm responsabilidades ou que vivem uma vida de ficção. É um bobagem!” Cada palavra apunhalou seu coração cada vez que ele falou e percebeu que seu pai não queria ouvir mais das ideias estúpidas de sua filha.

Suas mãos tremiam muito enquanto ela tentou abrir a porta. Desejava ter asas para voar longe, muito longe, e não ter que estar ali. Desceu à sala lentamente e, no momento que viu toda sua família e a família dele, começou a chorar lágrimas amargas. Todos pensavam que era por felicidade e ficavam muito animados pela emoção. Se somente souberem…pensou ela, subindo à limusine sozinha. Durante o passeio, suas lágrimas não paravam e para desviar do casamento, pensou muito em Félix, o cara que ela admirava. É mais novo, um ano mais velho que ela, mais bonito e mais interessante, mas por ser vagabundo e revolucionário nos olhos de seu pai não permitiu que ela esteja com ele. Seus sonhos, seus terras exóticas, sua carreira, até seu amor, tudo vai desaparecer no momento que a palavra “sim” é trocado por ambos. Chegando ao igreja antiga que ela sempre gostou, sentiu o coração explodindo no peito. Depois disso, tudo foi desfocado. Num momento estava saindo da limusine em frente de muitas pessoas aplaudindo e chorando lágrimas de felicidade, no próximo estava ajoelhada com Fernando no altar enquanto o sacerdote falava do amor e a vontade de Deus para os noivos felizes. Sílvia não ouviu nada pelo zumbido dos ouvidos apesar que os lábios do sacerdote estavam-se movendo.

De repente, um grito rasgou em toda a igreja, chamando a atenção de todos.

“SÍLVIA! SÍLVIA!” todos viram atras à entrada e foi Félix quem gritou quanto ele estava fora das portas. Manuel ficou com raiva de ver a ele, todos estavam surpreendidos e começavam a falar entre eles e Fernando tentou seguir com a cerimônia com um olhadela irritado. Sílvia olhou a sua volta enquanto Félix ainda gritava seu nome e pela primeira vez nesse dia, deu um sorriso verdadeira. Também pela primeira vez, ela ira fazer seu próprio destino.

“FÉLIX!” gritou e levantou, soltando o buquê de margaridas que segurava e correndo fora da igreja para se reunir com Félix. Depois desse momento, tudo foi caos. Fernando começou a blasfemar, Manuel gritou a Sílvia e tentou correr atrás dela, Clara chorou altamente, os demais convidados revoltou, forçando ao sacerdote a esconder-se trás dos santos. Sílvia e Félix deixaram a todos, rindo e correndo a pegar um ônibus que passou perto deles. O ônibus parou e eles subiram com rostos ruborizados e a respiração curtos. A adrenalina bombou nas veias de Sílvia e não podia para de sorrir. Finalmente estou fazendo o que eu quero fazer…pensou ela com emoção pela primeira vez. Sentaram ao fundo enquanto que todos os passageiros olhavam profundamente a eles, uma menina em vestido de noiva e um cara com uma camiseta preto, jeans e botas de combate. Olhavam entre eles, rindo da loucura que aconteceu enquanto recuperando seu fôlego. Depois de isso, os dois ficaram quietos e Silvia virou à janela, seu sorriso desaparecendo com sua adrenalina. Nesse momento, pensou em seus pais, que estão com muito raiva agora e sentiu uma péssima sensação em seu estômago. Examinou a Félix, que estava olhando a suas mãos, e viu que não era tão bonito como ela lembro. Sua cara estava suada, seu camiseta sujo, seus jeans rasgadas, e suas unhas estavam cheios de terra. Ela olhou a suas unhas bem cuidadas, o vestido que seu pai compro já perto no base e seu cabelo estragado. Pensou nas terras exóticas como Índia e Japão, em seu sonho de estudar jornalismo e de novo viu a Félix, quem não teve muito dinheiro como Fernando e estava na mesma posição que ela, confundido pelo mundo. O que fiz?, reflexionou no resto do passeio com uma sentimento pésima de arrependimento.

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2 thoughts on “O Som do Silêncio

  1. Interessante. Não teve o fim que eu estava esperando. Eu gostei porque dá quase uma crítica dos contos românticos populares. Todo não pode ser amor e a demissão de responsibilidade para seguir qualquer desejo que tenha. É muito real.

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