Monotonia

Acordei. Foi o mesmo sonho que tive a noite passada e a noite anterior; o mesmo pesadelo que eu tenho cada noite que me deixa sentir como se eu não tivesse dormido em anos cada vez que eu acordo. Gostaria de contar que é um pesadelo cheio de ação e monstros, mas não é assim. Toda noite, eu sonho com o trabalho num escritório. Neste pesadelo, digito e digito até que acordo e preciso digitar no trabalho na vida real. Apenas são as 6:32, mas já sei que hoje não é único.

O período entre o sono e o trabalho passa muito rápido. Tomei banho, me vesti, e peguei meu café na saída. Eu fixei meu alarme para as 6:00 esta manhã, mas aparentemente eu ainda tive muito trabalho no meu sonho que não podia deixar. Eu devo ser pago para dormir…

Dei uma olhada para meu relógio.

“Ótimo!”, pensei, “Já são 7:02. Meu chefe vai me matar.”

Com sorte, ele não notou meu atraso quando por fim cheguei. Eu corri para meu cubículo e sentei-me na minha mesa. Comecei a abrir os programas que precisava para fazer meu trabalho, mas no único momento de silêncio que tinha em meses, aproveitei a oportunidade de sentar e colocar os meus pés para cima da mesa. Sentei-me lá pensando por um tempo, mas em vez de relaxar, não conseguia pensar em nada além de como eu estava com raiva da minha vida.

Talvez no primeiro momento de espontaneidade na minha vida, levei o monitor do computador em uma mão, tomei meu café com a outra e dirigi meu tormento para o escritório do meu chefe. Chutei a porta e entrei no meio de uma reunião. Todos me olharam com medo, mas meu chefe me deu uma olhada de pura raiva.

Com toda a minha força, joguei o monitor no chão e o ecrã quebrou em cem pedaços. Nunca senti tanta satisfação. Dei dois passos em direção ao meu chefe e joguei meu café em seu rosto.

“Eu desisto!”, exclamei.

Ele ficou parado ali com os braços para cima e os olhos fechados. Fui diretamente para a porta, sem preocupação para os meus pertences no cubículo. Saí pela porta, e pela primeira vez senti liberdade. Não tinha um plano, mas eu me senti verdadeiramente livre para finalmente tomar minha vida em minhas próprias mãos. Sentei-me no chão e ri. Ri das possibilidades.

“O que é tão engraçado?”, perguntou meu chefe.

Abri os olhos. Num instante, o sorriso saiu da minha cara quando percebi que era um sonho. Adormeci com os pés para cima da mesa.

“Volta para o trabalho”, disse meu chefe.

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