O vazio que chega

Por Colin Pedron

Hoje, estou pensando na mortalidade de humanos. Acho que é um exercício saudável. A gente não fala desse tema bastante em nossa cultura moderna. Já há essa frase comum nos Estados Unidos: “Don’t discuss sex, money, or religion at the dinner party.” O tema de morte é entendido como parte dessa lista de discussões proibidas também.  De fato, o tema de morte é tão tabu que não reconhecemos até a realidade de que não falamos nunca sobre morte. Acho que isto é um problema para nossa cultura moderna.

Uma vez, ouvi que a morte é completamente esterilizada no sistema atual deste país. Hospitais, lares de idosos, e programas de hospícios tipicamente levam nossos amados justo antes da morte. Assim, é muito raro que vejamos a morte em primeira mão. Isto é provavelmente bom, porque qualquer morte é uma coisa muito dolorosa de ver. Mas devemos considerar as implicações desta separação.  Por termos tanta separação física da morte, temos a inclinação de construir uma separação mental também. Claro, esta distância é completamente artificial. A verdade é que a gente sabe profundamente que a morte chegará algum dia, mas prefere não pensar nisso.

A ideia de morte não parece muito justa. Somente temos tempo limitado para conhecer toda a beleza do mundo. Temos tempo limitado para ver, sentir, amar, sofrer, e descobrir tudo o que podemos antes de sairmos do mundo. Temos ramos de ciência, filosofia, e religião dedicados ao descobrimento da razão por esta injustiça. É possível fazer o argumento que muitas de nossos estudos, relações, e ações são relacionados (pelo menos parcialmente) à ideia de nossa morte inevitável. Não obstante, na vida cotidiana, não falamos francamente de morte nunca.

Quero falar da mortalidade de humanos. Quero falar da minha mortalidade. De que aspecto devo falar? Já não sou. Possivelmente seja do conceito de carpe diem, ou talvez do niilismo. Meu discurso talvez possa explorar a ideia do além que nos dão muitas religiões. Ou possa discutir o fato que no meu centro, tenho muito medo do prospecto de minha própria morte e da morte de minhas amadas. Quero dizer que, embora talvez já não tenhamos as respostas, é hora de deixar a negação completa que temos de morte em nossa mentalidade moderna.

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