A Praça do Mercado de Cracóvia

Cracóvia, Polônia, é uma cidade muita velha e bonita.  Se você tiver a possibilidade, recomendo que passe uns dias no lugar.  Muitas turistas ficam uma noite em Cracóvia, mas passam o seu único dia na cidade visitando um lugar perto, o campo de concentração Auschwitz.  Acho que visitar um campo de concentração nazi a sua viagem à Europa é uma experiência valiosa, algo que, mesmo que não quiser, é importante fazer uma vez e refletir.  Mas se você puder ficar uns dias mais em Cracóvia, não vai lamentá-lo.  Vá ao castelo, visite um museu, experimente cinquenta sabores de pierogi, veja a cidade desde um barco no rio, olhe o dragão legendário que lança fogo, escute a música klezmer polaca, faça um passeio a pé e aprenda sobra a história dessa cidade fantástica.  As possibilidades em Cracóvia são infinitas, mas vou enfocar o meu relato sobre uma só praça, lugar que marcou a minha experiência breve em Polônia.  Nenhum turista pode visitar Cracóvia sem andar pela Praça do Mercado, e para mim, o lugar permitiu-me conhecer a cidade com as várias faces dela.

 

Cheguei a Cracóvia às seis e meia da manhã.  Dormi pouco na noite no ônibus, mas não estava cansada.  Já até duas horas estava desperta e entusiasmada.  O sol nasce cedo no verão na Polônia, então passei o tempo olhando pela janela para os campos tranquilos desse país, o que para mim foi completamente novo.  Enquanto olhava, a luz suave da madrugada mudou para o sol dum dia quente e bonito, e os campos verdes foram substituídos pelos edifícios duma cidade.  O auto-falante do ônibus anunciou que chegamos a Cracóvia.

Desci do ônibus.  Não tive que esperar para que as malas fossem retiradas do bagageiro.  Ia ficar somente uma noite lá e não trouxe ao país mais do que uma mochila pequena.  Fui diretamente ao centro velho da cidade, e vi pela primeira vez a Praça do Mercado. Nessa hora cedo, foi tudo muito tranquilo, e além dum bando de pombos fui quase a única que ficou no meio da praça, que é uma das maiores em Europa.  Pude olhar sozinha a torre da prefeitura (que fica sem prefeitura) e a basílica de Maria Santíssima, com duas torres diferentes.  Era evidente que a praça tinha muita história.

Encontrei um poço de água público e enchi a minha garrafa.  Depois, regressei à estação para encontrar-me com um amigo que acabou de vir da casa dele em outra cidade na Polônia.   Ele me disse muitas coisas sobre Cracóvia, que acha a cidade mais bonita do país.

Quando chegamos à Praça do Mercado, tudo tinha mudado, a praça vazia já tinha ganhado vida.  Muitas turistas desfrutaram da arquitetura e atmosfera, e o meu amigo me explicou sobre a história do lugar. No passado tinha uma prefeitura imponente, mas foi destruída no século XIX para expandir a praça.   Tudo que sobra é a torre que vi essa manhã.  Meu amigo também me falou sobre a basílica com torres desiguais.  Segundo a lenda, dois irmãos construíram cada uma das torres.  Com medo de que o irmão dele faria a torre melhor, um irmão matou ao outro.  Depois, repintou a que fez e suicidou-se.  Uma faca que pende da entrada dum edifício perto nos lembra do mito.

Saímos da praça para encontrar-nos com outra amiga.  No caminho, passamos por muitas igrejas bonitas.  87% da população de Polônia adere à Igreja Católica Romana, e o meio deles assistem à missa cada semana (Wikipedia: Religão na Polônia).  Recomendaria a qualquer turista nesse país visitar algumas igrejas, que têm arquitetura e pintura diferente de qualquer outra que já tinha visto e que formam ainda uma parte importante da vida cotidiana.

Encontramos a nossa amiga, e retornamos juntos para a praça.  Tinha a impressão de já ter visto o lugar ontem, talvez anteontem também.  Conheci os edifícios e os vendedores, também soube onde a cidade fornecia água gratuita.  Estava com muita sede e reenchi a minha garrafa do poço.  “O que diz essa placa? ” perguntei.  Meu amigo me explicou que o poço homenageia um homem que se imolou pelo fogo em protesto nos anos 80.  “E essa? ” Reconheci a palavra polonês para água.  “Água não para beber. ”

Mais tarde, fomos recolher outro amigo na estação de ônibus e regressamos à praça, fomos deixar a bagagem dele no albergue e regressamos à praça, fomos comer pierogi (um bolinho delicioso que todos que visitam Polônia têm que comer) e depois, no caminho para o rio, passamos outra vez pela praça.  Cada vez que nós vimos a praça, algo mudava, e ela me parecia uma velha amiga que conhecia há muito tempo.  Quando regressamos pela noite e vimos ainda outra cara dela, eu achava impossível que somente estivemos um dia lá.  Tive em vinte horas uma semana inesquecível. Me sobrou ainda vinte horas na cidade, talvez se tornaria um mês.

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